Como começar com acessibilidade

Atualizado em: 05/07/2020

Quando palestro, falo com pessoas desenvolvedoras, que coordenam projetos, que lideram pessoas e que pesquisam fatos. Uma pergunta constante que sempre me fazem é: como eu faço para começar a trabalhar com acessibilidade?

Provavelmente eu dê uma resposta diferente do que as pessoas pensam, mas cada um tem uma perspectiva diferente.

Primeiro passo: conheça as pessoas

O primeiro passo que coloco nesse artigo é conhecer as pessoas. No curso da W3c da Edx sobre acessibilidade web, o primeiro módulo do curso fala sobre características de acessibilidade para diferentes tipos de pessoas. Como uma pessoa cega navega? Como ela usa o computador? Que tipo de informações são importantes para ela. Como pessoas com tetraplegia utiliza o celular e o computador?

No primeiro módulo são explicadas características de algumas deficiências, tecnologias assistivas e como são utilizadas. Cada pessoa é única! As pessoas precisam usar diferentes tipos de tecnologias e podem ter ou não experiências prévias as suas deficiências.

Por isso, só conseguimos entender bem sobre acessibilidade (falo isso por experiência) se conhecermos as pessoas que são beneficiadas pela acessibilidade, pois ela não é restrita as pessoas com deficiências.

Por onde começar?

Ok, tenho que conhecer mais sobre barreiras que as pessoas passam no cotidiano. Mas existem tantas, por onde começo?

Se seguirmos as estatísticas do IBGE do censo realizado em 2010 a ordem seria de deficiência visual, motora, auditiva e deficiência mental. Além disso existem as deficiências cognitivas que são muito comuns, mas difíceis de detectar muito cedo. Principalmente porque algumas delas estão relacionadas ao período de alfabetização.

As pessoas que trabalham com experiência do usuário normalmente precisam entender como as pessoas usam seus produtos ou serviços. Observar o contexto de uso e suas preferências. Conhecer o outro é o mais importante e isso vale para qualquer pessoa.

Você só vai entender a importância da acessibilidade para a outra pessoa se conhecê-la. Só assim você conseguirá compreender como a falta de acessibilidade interfere na vida das outras pessoas.

Conhecendo o outro

Eu já dei aula de programação para pessoas com deficiência visual. Quando comecei a conviver com meus alunos entendi muitas coisas da prática do dia a dia.

Talvez vocês já tenham visto campanhas sobre a importância da descrição de imagens para pessoas cegas. Mas vocês sabem o quão importante é descrevê-las de modo objetivo?

Pensem em tudo o que vocês lêem e fazem no seu dia de trabalho. Agora imagine que ao invés de usar a visão, você ouvisse tudo! O que você digita, mensagens recebidas, tudo…absolutamente tudo será ouvido. Você não ficaria cansado?

Agora, pense no quanto você ficaria cansado (e sem paciência) se todo mundo que falasse com você enrolasse ao invés de ser objetivo? Sabe aquele áudio de 4 minutos no WhatsApp que poderia ter sido resumido em menos de 1 minuto? É isso.

Concluindo

Então comece a entender o outro, suas necessidades e suas prioridades para saber do que eles realmente precisam.

Finalizando, como leitura eu recomendo o livro do Reinaldo Ferraz “Acessibilidade na Web: boas práticas para construir sites e aplicações acessíveis”, porque ele contextualiza o porque e o como cada pessoa se beneficia da acessibilidade. Também explica como aplicá-la em diversos contextos, inclusive com exemplos de códigos de linguagens de programação como React e JavaScript. Você pode comprar pela Casa do Código ou pela Amazon.

Referências

Censo Demográfico e o mapeamento das pessoas com deficiência no Brasil – Publicado em 08/05/2019

Atualização dos dados do IBGE das pessoas com deficiência – publicado 21/06/2018

Explicação sobre Deficiência Cognitiva

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